Seis riscos que podem ameaçar seu projeto em órgão público

Elaborar um plano de risco de projeto em um órgão público inclui aspectos muito diferentes da iniciativa privada. Devido à caraterística do nosso modelo de administração pública, os planos e ações propostos sofrem mudanças sistemáticas. No planejamento e na execução de um projeto de TI podemos deparar com alguns riscos provocados por essas mudanças.
No serviço público o projeto de TI quase sempre está em desvantagem com a maioria dos seus concorrentes. Às vezes, o gestor público entende que investimento em tecnologia nem sempre traz benefício imediato ou de impacto comparado com investimentos em obras de saneamento, vias de acesso, postos de saúde, escolas e outros. O projeto de TI no órgão público não é um investimento de automação em linha de produção, ou em algum processo que possa reduzir custo na produção refletindo no lucro final, como ocorre na iniciativa privada.
Sendo assim, os projetos da área de TI em execução estão sempre com algum risco ‘ a mais’, neste cenário desfavorável, imprevisível e inconstante dos órgãos públicos.
Indicamos alguns aspectos de risco que podem servir de alerta para amenizarmos as ameaças aos objetivos do projeto e que às vezes passam despercebidos no planejamento:

1- Não compatibilização com política de governo: Independente se existir apoio do patrocinador, se o projeto não estiver alinhado com a estratégia de governo, no remanejamento dos recursos – por diversos motivos – o projeto corre um sério risco de ser um dos primeiros da fila a sofrer redução no investimento, podendo até ser cancelado.

2- Empresa contratada com capital financeiro incompatível com o porte do projeto: No caso de projeto com contratação de empresa prestadora de serviços, a legislação não permite que o fornecedor seja ‘escolhido’ pelo órgão público. È importante no edital, garantir que a empresa a ser contratada possua lastro financeiro, experiência e estrutura suficiente para garantir a continuidade do projeto, principalmente em casos excepcionais de interesse público que podem impactar no atraso de pagamento.

3- Momento incorreto para investimento: Certificar no cronograma físico-financeiro se existe previsão de grande investimento no momento de transição de governo. Caso isto ocorra, é um grande risco o projeto ser abortado pelo novo governo. É comum no início de uma nova administração os projetos serem paralizados para estudo de viabilidade técnica e/ou financeira. A não ser que o projeto já esteja numa fase em que tecnicamente e financeiramente o seu cancelamento se torne inviável. Para amenizar este risco, se possível, incluir no início do cronograma a execução dos itens mais onerosos do projeto.

4- Risco de mudança de patrocinador: A mudança de patrocinador em órgão público é comum, principalmente em véspera de fim de gestão quando ocorrem saídas de patrocinadores (gestores públicos) para candidaturas ou outras atividades partidárias. O novo patrocinador pode não ter o mesmo interesse e conhecimento do projeto. Por isso, se possível e de preferência, deve-se buscar mais de um patrocinador da mesma linha hierárquica.

5- Risco de utilizar indexadores financeiros oscilantes e ‘perigosos’: Nos órgãos públicos o planejamento orçamentário deve ser rigoroso, por consequência, a execução dos seus gastos também. Por isso, no caso de realização de Edital de Concorrência Internacional com recursos oriundos de contratos celebrados com organismos financeiros internacionais, é prudente na realização do contrato não utilizar moeda estrangeira como indexador para pagamento dos serviços (permitido pela legislação), evitando ficar refém das oscilações ‘perigosas’ da balança comercial que podem onerar e até inviabilizar financeiramente o projeto.

6- Risco de rescisão contratual: Quando na elaboração do edital de um projeto de TI, nos requisitos técnicos e funcionais deve ser evitada descrição resumida ou simplificada. É importante que os requisitos tenham informações suficientes para que o licitante possa estimar de forma mais precisa o seu custo/investimento no projeto. Pode ocorrer na execução do projeto ser necessário um esforço muito maior do que o ‘imaginado’ pelo fornecedor, impactanto em um gasto muito acima do previsto e consequentemente um possível conflito e até rescisão contratual. A realização de consulta pública para melhor entendimento da demanada pode reduzir o risco.

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