As artes mistas de gerenciamento de projetos

Há muita literatura e diversas discussões sobre temas ligados a práticas e metódos para gerenciar projetos. Em uma rápida pesquisa na Internet sobre assuntos ligados ao gerenciamento de projetos depara-se com uma infinidade de artigos, sites, livros, publicações, ferramentas etc, por vezes defendendo uma prática ou outra como melhor, mais vantajosa ou mais eficiente. Métodos ágeis, tradicionais, nenhum dos dois….ou ambos? Antes de entrar no cerne da questão, acredito que qualquer método seja melhor do que nenhum. Para quaisquer situações e empreendimentos onde é necessário atingir um objetivo, fazer uso de algum método pode fazer a diferença e ser fator condicionante para se obter sucesso.

Não entro aqui na questão técnica de um método ou de outro….escrevo aqui para trazer minha visão sobre as práticas de gerenciamento de projetos, onde o grande propósito é otimizar a entrega do projetos de forma a chegar-se aos objetivos determinados. Sendo assim, o que importa na verdade é que consigamos atingir os objetivos, de maneira a obter o que no cliente precisa (não necessariamente o que ele quer) dentro do menor esforço, prazo e custo possível. Estou falando de focar no que realmente importa, ou seja, não desviar o foco do objetivo e buscar todas as formas disponíveis, viáveis e realistas de manter esse foco. Quero dizer que, além de tudo que existe de ferramentas, técnicas, métodos, modelos etc sempre deve haver espaço para adaptação e flexibilidade. No sentido de fazer com que as “coisas” aconteçam e em prol da manutenção do valor do projeto “vale tudo”, desde que dentro dos limites da ética, ao passo que o método adotado em si não se mantenha rígido a ponto de prejudicar o andamento das entregas.

Projetos são em sua essência “únicos” e “exclusivos”. Desta forma, cada projeto tem suas características próprias, tendo recursos diferentes, riscos diferentes, clientes diferentes, produtos diferentes, cenários diferentes….por mais que a natureza de um determinado projeto seja de alguma forma semelhante a outros, como por exemplo, a construção de uma ponte, o desenvolvimento de um software ou um novo modelo de automóvel, onde as etapas podem ser semelhantes, porém, cada projeto é um projeto….cada cenário é um cenário. Olhando desta forma, é realmente complicado definir uma “receita de bolo” com um passo a passo do que deve ser feito para se gerenciar um projeto, com práticas “engessadas” e que acabam delimitando a capacidade dos gestores e dificultando algumas quebras de paradigmas, principalmente quando já existe uma cultura extremamente arraigada na forma de se executar um projeto. O gerente de projeto da atualidade precisa estar atento e conhecer mais do que um método ou técnica, ou seja, precisa ser multidisciplinar e polivalente.

Faço analogia com o MMA, um esporte polular de onde podemos colher alguns ensinamentos. o MMA (Mixed Martial Arts) é traduzido como Artes Marciais Mistas, que se refere a uma modalidade de luta onde são permitidos golpes e técnicas de luta no chão (judô, jiu-jitsu e wrestling) e em pé (boxe, muay thai e caratê). Antigamente chamado de “Vale Tudo”, pois as lutas eram desenvolvidas sem limite de tempo, luvas ou regras e regulamentos que garantissem a integridade física dos lutadores. O conceito básico do Vale-Tudo aos poucos foi lapidado e chegou até o das artes marciais mistas, um esporte profissional que possui regras bem definidas, porém todas as artes marciais são válidas no sentido de se ganhar a luta (o objetivo). Na “luta” para entregar um projeto, dependendo do cenário e das adversidades, há que se usar um tipo de técnica ou outra para se conseguir obter êxito e alcançar o sucesso com o menor esforço. No MMA, o lutador precisa estudar o cenário da luta, seu adversário, seus pontos fracos, o tempo disponível, o local e todas as variáveis que irão determinar que tipo de técnica e estratégia de luta será mais eficaz para derrotá-lo. O lutador habilidoso e inteligente, tem dissernimento e reorienta sua estratégia durante a luta quando os resultados esperados não estão acontencendo. Sendo assim, adota abordagens diferentes para encarar e conseguir dominar seu adversário no sentido de conquistar a luta.

Da mesma forma, os gerentes de projetos devem estar preparados para se adaptarem ao dinamismo e questões inesperadas, características de projetos complexos. Não haverá uma forma “certa” ou método “mágico” para determinar o caminho “feliz” para se gerenciar um projeto. Conhecer as técnicas e métodos disponíveis, assim como desenvolver a habilidade necessária para usá-las é importante e essencial para que se tenha em mãos todas as ferramentas que possam ser usadas, dependendo do cenário encontrado. Sendo assim, pode ser ágil, tradicional, PMBOK, Scrum, Canvas, Kanban, etc, tudo junto, um pouco de tudo ou nada disso…..se for algo que funcione e mantenha o foco no objetivo…..está valendo. O profissional que tem isso, podemos dizer fazendo um trocadilho, que é um Gerente de Projetos que pratica MMA, ou seja, Mixed Management Arts….

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